Impressoras e materiais

Como escolher impressora 3D: teste rápido e comparação

Atualizado em 1 de novembro de 2026 · 9 min de leitura · Equipe MakerPrice 3D

Modelo de impressora muda a cada poucos meses; o tipo certo para você continua certo. Por isso este guia não elege "a melhor impressora 3D". Ele ajuda a achar o tipo que combina com o que você quer imprimir, com o lugar onde a máquina vai ficar e com quanto você quer mexer nela. O teste abaixo faz as seis perguntas que decidem. Se preferir ler, o texto depois dele segue a mesma lógica.

Os três tipos de impressora 3D

Filamento aberta (mesa que anda)

O bico derrete um fio de plástico e desenha a peça camada por camada. A mesa anda para frente e para trás, e por isso esse tipo é chamado em inglês de bed slinger. É a porta de entrada mais barata e mais simples de entender e de consertar. Vai muito bem com PLA, PETG e TPU, e boa parte dos modelos atuais já nivela a mesa sozinha.

Famílias de exemplo (conferidas em novembro de 2026): Bambu Lab A1 e A1 mini, Creality Ender-3 V3, Elegoo Neptune, Anycubic Kobra.

Filamento fechada (CoreXY)

A mesa só sobe e desce; a cabeça anda nos dois eixos por um sistema de correias chamado CoreXY, dentro de uma caixa com porta. Isso deixa a impressão mais rápida e mais estável em peças altas, e a câmara fechada segura o calor: é o que permite imprimir ABS e ASA sem a peça descolar e entortar. A porta também segura parte do barulho e do cheiro.

Famílias de exemplo: Bambu Lab P1S e P2S, Creality K1C e K2, Elegoo Centauri Carbon, QIDI Q2 e Plus4.

Resina (MSLA)

Uma tela LCD projeta luz ultravioleta numa cuba de resina líquida e endurece uma camada inteira de uma vez. A peça sai de cabeça para baixo, presa na plataforma. O resultado tem um detalhe que o filamento não alcança: os perfis comuns usam camadas de 0,05 mm, e a superfície sai lisa. A máquina é quase silenciosa. Em troca, cada peça precisa ser lavada em álcool isopropílico e curada na luz UV, e a resina líquida pede luvas.

Famílias de exemplo: Elegoo Mars e Saturn, Anycubic Photon Mono, Creality Halot.

Comparação lado a lado

Aberta (filamento) Fechada CoreXY (filamento) Resina (MSLA)
Melhor para Peças úteis, primeiro contato, PLA e PETG Peças técnicas, ABS e ASA, imprimir muito Miniaturas, bustos, joias, peças pequenas com detalhe
Preço de entrada O mais baixo Mais alto Baixo, mas os acessórios somam
Detalhe Bom (bico de 0,4 mm) Bom (bico de 0,4 mm) Muito alto
Tamanho das peças Médio a grande Médio a grande Pequeno a médio
Materiais PLA, PETG, TPU Os da aberta, mais ABS e ASA; com bico endurecido, os com fibra Resinas (padrão, mais tenazes, laváveis em água)
Barulho Ventoinhas e motores à vista Parte fica dentro da caixa Quase silenciosa
Cheiro Baixo com PLA; forte com ABS e ASA A porta segura parte; alguns têm filtro Cheiro de resina; pede ventilação
Depois de imprimir Tirar suportes Tirar suportes Lavar, tirar suportes, curar
Várias cores Sim, com trocador automático Sim, com trocador automático Não; pinta-se depois

As seis perguntas que decidem

São as mesmas do teste, e a ordem importa: a primeira e a terceira dizem se a resina entra no jogo.

Detalhe fino, lugar ventilado, uma cor e sem material técnico? sim Resina MSLA não ABS, ASA ou náilon? Verba alta? Ou verba média e zero ajuste? sim Fechada CoreXY não Aberta mesa que anda Detalhe fino, lugar ventilado, uma cor e sem material técnico? sim Resina MSLA não ABS, ASA ou náilon? Verba alta? Ou verba média e zero ajuste? sim Fechada CoreXY não Aberta mesa que anda
A mesma lógica do teste: a resina só aparece quando tudo a favor dela se junta; material técnico, verba alta ou vontade de não mexer levam à fechada.

1. O que você mais quer imprimir?

Suportes, organizadores, peças de reposição e coisas maiores pedem filamento. Miniaturas de RPG, bustos e peças com letras miúdas são o terreno da resina. Se a resposta é "um pouco de tudo", o filamento cobre mais casos; para mais detalhe, um bico de 0,2 mm chega mais perto da resina, ao custo de imprimir bem mais devagar. A comparação completa está em impressora de resina ou filamento.

2. Quanto quer gastar?

Com a verba no mínimo, comece pela aberta e gaste o que sobrar em bons rolos de PLA. Uma verba maior compra conforto: a fechada imprime mais rápido, aceita mais materiais e pede menos ajuste. Na resina, a impressora pode ser barata, mas álcool, luvas, estação de lavagem e filme de reposição entram na conta desde o primeiro dia.

3. Onde ela vai ficar?

Perto de pessoas (quarto, sala, escritório), a escolha mais tranquila é filamento com PLA. A resina só faz sentido ali se houver ventilação para fora, porque o cheiro aparece sempre que a cuba fica aberta. Uma impressora de filamento rápida faz barulho de ventoinha por horas; a fechada abafa parte dele. Numa oficina ou garagem ventilada, qualquer tipo serve. Só não esqueça do frio: a Anycubic, por exemplo, orienta imprimir resina acima de 20 °C, e garagem fria derruba a taxa de sucesso.

4. Quer várias cores na mesma peça?

Isso não decide o tipo, e sim o pacote: procure o modelo vendido em combo com o trocador automático de filamento (AMS da Bambu Lab, CFS da Creality, ACE da Anycubic). Existe para abertas e para fechadas. Cada troca de cor descarta filamento na purga, e em peças com muitas trocas essa sobra pesa no preço; veja o guia de custo da troca de cor. A resina imprime uma cor por vez, e a cor vem da pintura.

5. Vai usar materiais técnicos?

ABS e ASA empenam com corrente de ar e frio; para peças médias e grandes, eles pedem câmara fechada. Filamentos com fibra de carbono ou de vidro gastam o bico de latão e pedem bico de aço endurecido: alguns modelos já vêm com ele, outros vendem à parte. O náilon pede, além disso, filamento muito seco. Se você vai ficar no PLA e no PETG, a aberta dá conta; a diferença entre os dois está no guia PLA ou PETG.

6. Quanto você gosta de mexer na máquina?

Se você quer que ela funcione sozinha, dê preferência a quem tem nivelamento automático, calibração de vibração e perfis prontos no fatiador, e à fechada se a verba deixar. Se você gosta de ajustar e aprender, uma aberta com comunidade grande e peças de reposição fáceis de achar é um ótimo laboratório.

Os defeitos de cada tipo, sem rodeio

Aberta. Precisa de espaço livre na frente e atrás, porque a mesa anda. Em peças altas e finas a mesa que balança limita a velocidade. Sem caixa, uma janela aberta ou um ar-condicionado soprando já pode descolar ABS. O barulho e o cheiro ficam no ambiente.

Fechada. Custa mais. Com PLA em dia quente, fabricantes como a Bambu Lab orientam abrir a porta ou tirar a tampa para o calor da câmara não amolecer o filamento antes do bico. Algumas marcas dependem de app, firmware e peças próprias, então o conserto em casa costuma ser trocar um módulo inteiro.

Resina. A resina líquida irrita a pele e pode causar alergia com contato repetido; luvas nitrílicas e óculos fazem parte da rotina. O álcool usado na lavagem fica sujo de resina e não vai para o ralo: ele precisa ser curado ao sol e descartado conforme as regras da sua cidade. As peças de resina padrão são quebradiças, a plataforma de uma impressora compacta tem mais ou menos o tamanho da tela de um celular, e o filme FEP da cuba é um consumível que se troca de tempos em tempos.

O que comprar além da impressora

A impressora é só o primeiro gasto. Para filamento:

  • Dois ou três rolos para começar: um PLA de cor neutra para testes e, se for fazer peças que pegam calor ou sol, um PETG.
  • Bicos de reposição: o de 0,4 mm entope ou gasta; um de 0,2 mm se quiser detalhe; um endurecido se for usar fibra.
  • Uma segunda mesa PEI: a texturizada é a mais versátil, e a PEI perde aderência com o uso.
  • Secador de filamento ou caixa vedada com sílica: PETG, TPU e náilon puxam umidade e imprimem mal molhados. Veja como secar o filamento.
  • Ferramentas: alicate de corte rente, espátula, paquímetro, cola bastão e álcool isopropílico para limpar a mesa.

Para resina:

  • Álcool isopropílico em quantidade, luvas nitrílicas, óculos de proteção e papel-toalha.
  • Estação de lavagem e cura, ou dois potes com tampa e uma lâmpada UV de 405 nm.
  • Filme FEP de reposição, espátula de plástico e um funil com filtro para devolver a resina ao frasco.
  • Ventilação: janela aberta, exaustor ou uma caixa com saída de ar para fora.

Se for comprar agora, vale olhar antes os cupons das lojas oficiais. E se a ideia é vender peças, os erros mais caros do começo estão no guia de erros de iniciante.

Perguntas frequentes

Dá para começar direto com uma impressora de resina?

Dá, se o seu foco é miniatura ou peça pequena com detalhe e você tem um lugar ventilado. O aprendizado é diferente: menos ajuste de máquina e mais cuidado com segurança, lavagem, cura e descarte. Quem quer imprimir de tudo costuma acabar com as duas, começando pela que atende a maior parte do que pretende fazer.

Qual tamanho de mesa eu preciso?

Meça as três maiores coisas que você quer imprimir. Se cabem em 18 × 18 cm, uma compacta como a A1 mini serve; as de tamanho médio, como A1 e P1S, têm 25,6 cm de lado. Peças maiores que a mesa podem ser divididas no fatiador e coladas depois, com encaixe.

Uma impressora 3D gasta muita energia?

Menos do que parece. A calculadora do MakerPrice 3D parte de uma média de 120 W para filamento e 50 W para resina. Uma impressão de 5 horas em filamento gasta 0,6 kWh, cerca de R$ 0,57 a R$ 0,95 o kWh. Na resina, as mesmas 5 horas dão 0,25 kWh, cerca de R$ 0,24. Troque pela potência e tarifa reais.

Preciso de computador para imprimir?

Para fatiar, quase sempre: Bambu Studio, OrcaSlicer, PrusaSlicer e Cura no filamento; Chitubox e Lychee na resina. Várias impressoras recebem o arquivo por Wi-Fi ou pelo app do celular, e quase todas aceitam pen drive ou cartão de memória, então o computador não precisa ficar ligado durante a impressão.

Vale comprar impressora usada?

Pode valer, se você conseguir ver a máquina funcionando. No filamento, confira a mesa (riscos e aderência), o bico, as correias e se o firmware ainda recebe atualização. Na resina, a tela LCD e o filme FEP se desgastam com o uso: pergunte quantas horas a máquina tem e imprima um teste antes de pagar.

Leia também