Problemas e soluções

Como secar filamento PETG úmido: temperatura, tempo e método

Atualizado em 8 de novembro de 2026 · 9 min de leitura · Equipe MakerPrice 3D

Filamento úmido normalmente se recupera com uma secagem. O que estraga um rolo de vez é secar errado: calor demais gruda as voltas umas nas outras ou entorta o carretel. Por isso, confirme primeiro que o problema é umidade, e só então escolha temperatura e método.

Como saber se o filamento está úmido

A água do filamento vira vapor no bico quente, e o plástico sai com bolhas e em jatos irregulares. Os sinais:

  • Estalos ou chiado no bico, às vezes com um fiozinho de vapor.
  • Fios e babas que não somem com ajuste de retração. O PETG já tende a fazer fios; úmido, piora bastante.
  • Superfície áspera, com bolhas ou furinhos nas paredes de fora.
  • Peça fraca, com camadas que se separam com pouca força.
  • PLA quebradiço, que estala ao dobrar. Pode ser umidade, envelhecimento ou tensão do enrolamento; secar resolve parte desses casos.

Teste rápido: com o bico na temperatura de impressão, extrude uns 50 mm no ar. Bolhas, estalos ou vapor indicam umidade; seco, o fio sai liso e em silêncio.

O guia em 1min12: o que a água faz no bico, o teste dos 50 mm, quanto secar, como guardar e a conta. Sem som, com legenda.

Nem todo material sofre igual. A Bambu Lab trata a secagem antes do uso como obrigatória para TPU, PC, nylon (PA) e PVA, e recomendada para PLA, PETG, ABS e ASA. A Prusa concorda: o PLA muda pouco com a umidade; nylon, PVA e TPU pedem secagem mais vezes. Se você ainda está escolhendo material, veja o guia PLA ou PETG.

Temperatura e tempo de secagem por material

Cada fabricante testa o próprio filamento, e os números não batem exatamente. A tabela traz o que três marcas publicam e a faixa que cobre as três. Se o seu rolo tem ficha técnica, siga a dela; se não tem, comece pela temperatura mais baixa da faixa.

Material Bambu Lab (estufa com ventilação) Polymaker (ficha técnica) Prusament Faixa entre as três
PLA 50 °C · 8 h 55 °C · 6 h 45 °C · 6 h 45–55 °C · 6–8 h
PETG 60–65 °C · 8 h 65 °C · 6 h 55 °C · 6 h 55–65 °C · 6–8 h
TPU 70 °C · 8 h 70 °C · 8 h 60 °C · 4–6 h 60–70 °C · 4–8 h
ABS 75–85 °C · 8 h 70 °C · 6 h não consta 70–85 °C · 6–8 h
ASA 75–85 °C · 8 h 70 °C · 7 h 80 °C · 4 h 70–85 °C · 4–8 h
PC 75–85 °C · 8 h 75 °C · 6 h 85 °C · 5 h (PC Blend) 75–85 °C · 5–8 h
Nylon (PA) 75–85 °C · 8–12 h (PA com fibra) 100 °C · 8 h (CoPA) 90 °C · 6 h (PA11 com fibra de carbono) 75–100 °C · 6–12 h

Fontes, conferidas em novembro de 2026: a wiki da Bambu Lab (coluna da estufa com ventilação forçada), as fichas técnicas da Polymaker para PolyLite PLA, PolyLite PETG, PolyFlex TPU95, PolyLite ABS, Polymaker ASA, PolyLite PC e PolyMide CoPA (por exemplo, a do PolyLite PETG) e o artigo de secagem da Prusa.

Três cuidados valem para todos:

  • Não passe da temperatura. Acima do recomendado, o filamento amolece e as voltas grudam (Prusa). No PLA, a margem é pequena.
  • Não estique o tempo. A Prusa pede para não secar demais, e a Bambu Lab observa que o PC fica quebradiço com muitos ciclos de aquecer e esfriar.
  • Guarde o nylon vedado desde o primeiro dia. Segundo a Bambu Lab, depois de uns três meses no ar aberto ele fica muito difícil de secar numa estufa comum a 80–90 °C.

O limite do carretel

Antes da temperatura do filamento, veja quanto o carretel aguenta. A Bambu Lab avisa que alguns carretéis de outras marcas deformam no calor da secagem, e carretel torto trava no suporte e no AMS. Dois limites publicados: o carretel reutilizável da Bambu Lab aguenta secagem a 80–90 °C; o carretel preto atual da Prusament, até 90 °C, mas o modelo antigo, com miolo de papelão, só até 45 °C sem um parafuso prendendo as laterais.

Quando o material pede mais que o carretel, como os 100 °C do nylon CoPA na ficha da Polymaker, passe o filamento para um carretel que resista ou fique no limite dele, sabendo que vai secar menos. Se a marca não informa o limite, comece baixo e olhe o carretel depois da primeira hora.

Os métodos, do mais seguro ao mais arriscado

Secador de filamento

O caminho mais simples: o aparelho controla a temperatura, e muitos deixam imprimir com o rolo lá dentro. Confira a temperatura máxima antes de comprar, como recomenda a Prusa: um secador que para em 65 °C atende PLA e PETG, fica no limite para TPU e não serve para ABS, PC ou nylon.

AMS 2 Pro e AMS HT, da Bambu Lab

O AMS 2 Pro seca materiais de até 65 °C: PLA, PETG e TPU (este, segundo a Bambu Lab, pode não secar por completo). O AMS HT seca todos, inclusive ABS, ASA, PC e nylon. Nos dois, a marca indica 45 °C por 12 h para PLA e 65 °C por 12 h para PETG. Ligado a uma X1, P1 ou A2L, o AMS 2 Pro precisa do próprio adaptador de energia para secar.

Mesa aquecida de uma impressora fechada

A Bambu Lab publica o passo a passo para as impressoras fechadas dela (nas abertas, como A1, A1 mini, P1P e A2L, não serve): descarregue o filamento do bico, abaixe a mesa, deite o rolo, cubra com a caixa do filamento ou uma tampa impressa em PC, feche a porta e vire o rolo na metade do tempo, de luva. A temperatura indicada é a da placa, por isso é mais alta que a da estufa: 60–70 °C para PLA, 75–85 °C para PETG e 90–100 °C para ABS, ASA, PC e nylon, por 12 h; TPU, 80–90 °C por 12 a 16 h. Em outras marcas, use o método só se o fabricante indicar.

Desidratador de alimentos

Funciona sem as bandejas do meio, para o rolo caber, como descreve a Prusa. O limite é a temperatura: esses aparelhos costumam ficar em faixas baixas, então confira o máximo no manual e confirme com um termômetro.

Forno de cozinha, o mais arriscado

Aqui os fabricantes divergem. A Bambu Lab desaconselha forno de cozinha e micro-ondas: o calor perto das resistências é desigual e pode derreter o rolo ou o carretel. A Prusa aceita o forno com termômetro externo, porque o termostato oscila mais do que o filamento tolera e muitos fornos nem descem à temperatura do PLA. Se for usar, estabilize a temperatura com o termômetro ao lado do rolo antes de colocar o filamento, deixe o rolo na grade do meio, longe da resistência, e fique por perto.

Depois de secar: onde guardar

Meta: abaixo de 20% Ar de casa: 45 a 65% Dia úmido 0% 20% 45% 55% 65% 100% Guardado a 20% fica seco por 2 a 7 dias Recém-seco, no ar a 55% volta a dar problema em 2 a 12 h Umidade relativa do ar em volta do rolo · fonte: wiki da Bambu Lab 100% 65% 55% 45% 20% 0% Dia úmido Ar de casa: 45 a 65% recém-seco, a 55%, volta a dar problema em 2 a 12 h Meta: abaixo de 20% a 20%, seco por 2 a 7 dias Umidade relativa em volta do rolo fonte: wiki da Bambu Lab
Secar sem guardar vedado dura poucas horas: no ar comum de casa, o rolo volta a absorver água quase no mesmo dia.

Segundo a wiki da Bambu Lab, o ar de dentro de casa costuma ter de 45% a 65% de umidade relativa, e nele um rolo recém-seco absorve água suficiente para atrapalhar a impressão em 2 a 12 horas, conforme o material. Abaixo de 20%, a maioria dos filamentos fica seca por 2 a 7 dias, e quanto mais baixa a umidade, mais tempo. A Polymaker pede o mesmo teto de 20% para o nylon. Na prática:

  • Caixa vedada ou saco a vácuo com sílica, como recomenda a Prusa, e um higrômetro dentro para saber quando a sílica cansou.
  • Regenere a sílica quando ela mudar de cor: a Bambu Lab indica 80 a 90 °C, nunca acima de 100 °C, por 1 a 3 horas, em vidro, cerâmica ou alumínio, nunca em plástico.
  • Nylon e TPU direto da caixa seca, de preferência imprimindo com o rolo dentro dela ou do secador.

Guardar bem também deixa gastar o rolo até o fim; para saber quanto ainda resta, veja quanto filamento sobrou no rolo.

Quanto custa secar, e quanto custa não secar

Secar só gasta energia, e a conta é a mesma da impressora: watts ÷ 1.000 × horas × preço do kWh. Com a tarifa de referência de R$ 0,95/kWh e um rolo de R$ 110 (o valor de referência do PLA; o PETG costuma custar parecido):

Situação (exemplo) Conta Custo
Secador de 100 W ligado sem parar por 8 h (teto: o aquecedor liga e desliga) 0,1 kW × 8 h × R$ 0,95 R$ 0,76
Mesa da impressora por 12 h, a 120 W de média (o padrão da calculadora) 0,12 kW × 12 h × R$ 0,95 R$ 1,37
Impressão de PETG de 250 g e 8 h perdida por umidade 250 g × R$ 0,11 + 8 h × R$ 0,58 R$ 32,14
Rolo que grudou num forno quente demais o rolo inteiro R$ 110,00

Os R$ 0,58 por hora são o custo de máquina pelos padrões da calculadora: impressora de R$ 2.500 com 6.000 h de vida útil, R$ 0,05/h de manutenção e 120 W de energia. O forno ficou fora porque o consumo muda demais de um modelo para outro; meça o seu com um medidor de tomada.

Mesmo no teto, uma secagem custa menos de 1% do rolo, e uma impressão perdida paga 42 secagens no secador do exemplo. A conta de energia em detalhe está no guia de consumo de energia da impressora 3D.

Perguntas frequentes

Dá para secar filamento no micro-ondas?

Não. A Bambu Lab desaconselha: o micro-ondas aquece de forma desigual e não deixa controlar a temperatura. O risco é derreter partes do rolo enquanto outras continuam úmidas.

Filamento novo, ainda lacrado, precisa secar?

Na maioria das vezes, não: marcas como a Polymaker secam o filamento antes de embalar, e o saco lacrado com sílica serve para manter o rolo assim até você abrir. Seque se a embalagem chegou furada ou se os sintomas aparecem logo na primeira impressão. Para TPU, PC e nylon, a Bambu Lab trata a secagem antes do uso como obrigatória.

Quantas vezes posso secar o mesmo rolo?

Os fabricantes não publicam um número. O que eles pedem é respeitar temperatura e tempo: a Prusa avisa contra secar demais, e a Bambu Lab observa que o PC fica quebradiço com muitos ciclos. O jeito de secar menos vezes é guardar melhor.

Secar resolve os fios no PETG?

Resolve quando a causa é umidade. Se o PETG seco continua fazendo fios, o problema está na temperatura, na retração ou no deslocamento do bico; o guia de fios no PETG mostra os ajustes.

Quanto tempo o rolo aguenta fora da caixa numa impressão longa?

Pelos números da Bambu Lab, a 55% de umidade um rolo recém-seco começa a dar problema entre 2 e 12 horas, conforme o material. Em impressões longas de PETG, TPU ou nylon, imprima com o rolo dentro do secador ou de uma caixa seca com saída para o tubo.

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