Problemas e soluções

Impressão 3D empenando nas pontas: causas e como resolver

Atualizado em 5 de novembro de 2026 · 12 min de leitura · Equipe MakerPrice 3D

Se só os cantos levantam e o meio da peça continua grudado, é empenamento: a peça está sendo puxada para cima por ela mesma. Se a peça inteira solta, ou o primeiro fio nem gruda, o caminho é outro, e está no guia de primeira camada que não gruda. A diferença importa porque, no empenamento, o que resolve é diminuir o encolhimento e dar mais área para os cantos se segurarem.

Por que as pontas levantam

O plástico sai do bico perto de 200 °C ou mais e encolhe enquanto esfria. Cada camada nova é depositada quente sobre outra que já esfriou e, ao encolher, puxa a de baixo para dentro. No meio da peça essa força se espalha; nos cantos, ela se soma em duas direções e vence a aderência. O canto sobe, a base fica curva e, em casos graves, o bico bate na ponta levantada e arranca a peça.

Três coisas aumentam esse puxão:

  • Esfriamento rápido ou desigual: corrente de ar de janela, ventilador ou ar-condicionado, e ventoinha forte nas primeiras camadas. A Bambu Lab observa que, com a sala abaixo de 20 °C, até PLA e PETG empenam.
  • Geometria: peças compridas e chatas e cantos vivos concentram a tensão.
  • Preenchimento alto: a Bambu Lab cita peças grandes com 60% de preenchimento como caso típico, e padrões de linhas retas encolhem mais que o Gyroid.
As camadas de cima encolhem ao esfriar os cantos são puxados para cima e soltam da mesa Com a correção brim segura os cantos e a base esfria devagar As camadas de cima encolhem ao esfriar os cantos são puxados para cima e soltam da mesa Com a correção brim segura os cantos e a base esfria devagar
O empenamento começa em cima: cada camada que encolhe puxa a de baixo, e os cantos são o ponto mais fraco da aderência.

PLA, PETG, ABS e ASA: quem empena mais

A Bambu Lab classifica PLA, PETG e TPU como pouco propensos a empenar, e ABS, ASA, PC e nylon como materiais que pedem mesa e câmara quentes para não empenar. Entre os fáceis, o PETG empena mais que o PLA. Os materiais que endurecem em temperatura mais alta têm um caminho maior de encolhimento até a temperatura da sala, e é por isso que pedem mais calor em volta da peça.

Material Tendência a empenar Mesa em PEI Ventoinha Impressora fechada
PLA baixa 45 a 65 °C desligada nas 3 primeiras camadas, depois alta não precisa; com mesa acima de 45 °C, a Bambu Lab recomenda abrir a porta ou tirar a tampa de vidro
PETG baixa a média 60 a 80 °C desligada nas 3 primeiras, depois moderada recomendada pela Bambu Lab para a resistência entre camadas
ABS e ASA alta 90 a 100 °C baixa ou desligada recomendada pela Bambu Lab

Faixas da tabela de filamentos da Bambu Lab, conferida em novembro de 2026. Se você ainda está escolhendo o material, o guia PLA ou PETG compara os dois.

É empenamento mesmo?

Durante a impressão, olhe com a lanterna do celular rente à mesa onde a fresta começa. Depois, com a peça pronta e fria, apoie-a numa superfície plana e tente passar uma folha de papel sob o canto: isso mede quanto ela ficou torta, mas não diz quando começou.

O que você vê O que é
A fresta nasce nos cantos e cresce com as camadas empenamento, mesmo que no fim a peça inteira solte
A peça solta inteira sem passar por isso, ou o primeiro fio não gruda aderência: veja o guia de primeira camada
A base esparrama para os lados, mas fica reta pé de elefante

O que cada teste custa

Use a própria peça, se for pequena, ou uma barra de 100 × 20 × 10 mm. A comparação só vale contra uma versão de controle: mesmo rolo, mesmo lugar da mesa e uma mudança por vez. Meça a fresta sempre com a peça fria. Se a barra sair reta sem mudança nenhuma, ela não serve para comparar: teste na peça que empenou.

Fatiamos a barra no Bambu Studio, perfil 0.20mm Standard da A1, com PLA genérico:

Versão Tempo Filamento
Controle, sem mudar nada 15 min 9,1 g
Ventoinha desligada nas 3 primeiras camadas 15 min 9,1 g
Primeira camada a 30 mm/s, com o preenchimento dela 16,5 min 9,1 g
Brim de 5 mm 16 min 9,4 g
Preenchimento de 60% 27 min 17,3 g

São estimativas do fatiador. Essas barras não foram impressas: a tabela mostra o custo de cada teste, não o resultado.

Causa por causa: como confirmar

Gordura na chapa

Como aparece: o canto sobe já nas primeiras camadas, muitas vezes na mesma região da mesa.

Teste que confirma: lave a chapa com detergente, seque e imprima a mesma peça no mesmo lugar. Se a fresta diminuir, a limpeza ajudou. Na chapa lisa, água formando gotas é um bom sinal de gordura; na texturizada, é só uma pista fraca.

Chapa errada no fatiador

Como aparece: começa depois de trocar a chapa ou de abrir um projeto de outra pessoa.

Teste que confirma, sem imprimir: compare a chapa instalada com a que está valendo naquela placa do projeto, porque o ajuste da própria placa passa por cima do geral. No começo da impressão, confira na tela a temperatura-alvo da mesa. Temperatura certa não prova chapa certa, porque dois tipos podem usar o mesmo valor.

Mesa fria

Como aparece: a base nasce boa e os cantos sobem depois.

Teste que confirma: veja a temperatura do perfil. Na A1, o PLA genérico na chapa texturizada já vem a 65 °C, o alto da faixa, e aí este teste não se aplica. Na X1C, o PLA Basic vem a 55 °C: nesse caso, imprima a mesma peça com 10 °C a mais, mudando só isso. Se a fresta diminuir, o calor da mesa pesava.

Sala fria

Como aparece: a mesma peça sai boa nos dias quentes e empena nos frios.

Teste que confirma: com um termômetro perto da impressora, compare a mesma peça, com a mesa no mesmo ajuste, em duas temperaturas medidas, como de manhã e à tarde. Se ela só empena no frio, a sala pesa. A Bambu Lab cita abaixo de 20 °C como o ponto em que até PLA e PETG empenam.

Ventoinha cedo demais

Como aparece: o canto solta nas primeiras camadas, mesmo com a chapa limpa.

Teste que confirma, começando sem imprimir: na prévia, escolha Color Scheme Fan speed e olhe as camadas em que o canto solta. No PLA da A1, só a primeira vem sem ventoinha: na barra, a segunda já estava a 72%. Mude só No cooling for the first para 3 e confira se a prévia mudou nessas camadas. Se não mudou, você repetiu o controle, como acontece no PETG genérico, que já vem com 3. Imprima e compare. Se a fresta diminuir, a ventoinha pesava.

Vento ou algo de um lado da impressora

Como aparece: sempre o mesmo lado empena.

Teste que confirma: anote o lado que subiu e imprima a peça girada 180° no fatiador, no mesmo lugar da mesa. Se continuar subindo o mesmo lado da impressora, procure no ambiente ou na mesa. Se o problema trocou de lado junto com a peça, investigue a geometria e o percurso. Para separar vento de mesa, tire uma corrente de ar direta por vez, sem fechar a ventilação da sala, e repita. Se sumir, era aquele vento. Se continuar, limpe aquela região e confira o nivelamento.

Canto vivo em peça longa e chata

Como aparece: as duas pontas sobem por igual, em qualquer lugar da mesa.

Teste que confirma: se você tem o modelo, mude só o raio dos cantos e compare. Se a fresta diminuir, o canto vivo pesava. Sem o modelo, teste o brim: se segurar, é uma boa correção, mas não prova a causa. Se o brim subir junto, a contração continua vencendo a aderência, e vale voltar à chapa e à mesa.

Primeira camada rápida

Como aparece: a linha arrasta ou descola em curvas e cantos, antes de a peça crescer.

Teste que confirma: passe a primeira camada e o preenchimento dela para 30 mm/s, confira em Color Scheme Speed se a prévia mudou naquele trecho e compare com o controle.

Preenchimento alto

Como aparece: peça grossa e cheia, com os cantos subindo tarde, quando ela já está alta.

Teste que confirma: repita mudando só a densidade, com o mesmo padrão. Se a fresta diminuir com menos preenchimento, ele pesava. É o teste mais caro, então deixe por último.

Umidade no PETG

Como aparece: estalos, bolhas ou fios, além do canto subindo.

Teste que confirma: anote separados os estalos, os fios e a fresta. Imprima a mesma peça, com o mesmo rolo, antes e depois de secar. Menos estalos e fios mostram que estava úmido. Para ligar a umidade ao empenamento, a fresta precisa diminuir de novo quando você repete.

ABS e ASA sem calor em volta

Como aparece: a peça sobe mesmo com todo o resto conferido.

Teste que confirma: numa impressora compatível, imprima o mesmo rolo com a mesa já estabilizada, em duas temperaturas de câmara medidas com um termômetro. Se a fresta diminuir com a câmara mais quente, faltava calor em volta da peça.

Em que ordem testar, para gastar pouco

  1. Sem imprimir: chapa instalada contra a do projeto, temperatura do perfil, ventoinha e velocidade na prévia.
  2. Uma impressão por vez, contra o controle: chapa lavada, depois ventoinha, depois primeira camada a 30 mm/s.
  3. Lado da impressora: gire a peça 180°.
  4. Geometria: raio nos cantos, se tiver o modelo; senão, brim, que é correção.
  5. Por último: preenchimento, temperatura da sala e, no PETG, secar.

As correções, da que mais resolve para a que menos

  1. Chapa limpa e chapa certa no fatiador. Gordura tira aderência justamente nos cantos. Lave com detergente e água morna e confira o tipo de chapa no fatiador: escolher a chapa errada pode deixar a mesa mais fria e o bico mais alto do que deveriam.
  2. Mesa no alto da faixa do material. Em sala abaixo de 20 °C, a Bambu Lab sugere 10 °C a mais, sem passar da faixa do fabricante (mesa quente demais causa pé de elefante e, no PLA e no PETG, pode entupir o bico).
  3. Ventoinha desligada nas três primeiras camadas (No cooling for the first no Bambu Studio, Disable fan for the first no PrusaSlicer). Se a sua impressora tem ventoinha auxiliar lateral, a Bambu Lab sugere baixá-la para 40% a 50% quando há empenamento. Nos perfis de PLA que lemos (A1 e X1C), a ventoinha só vem desligada na primeira camada; no PETG genérico da A1, nas três.
  4. Brim. A aba de uma camada aumenta a área que segura a base. Se os cantos ainda subirem, aumente a largura.
  5. Orelhas nos cantos (mouse ears). São discos finos só nos cantos, que seguram onde o puxão é maior e saem mais fácil que um brim inteiro. No Bambu Studio, mude o Brim type para Painted e use a ferramenta Brim ears; no OrcaSlicer existe o tipo Mouse ear; no PrusaSlicer e no Cura, dá para adicionar cilindros de poucas camadas de altura nos cantos, que é o que a Prusa sugere quando o brim não basta.
  6. Proteção contra vento e calor em volta da peça. Para PLA e PETG, tire a impressora da corrente de ar; a Prusa desaconselha imprimir esses dois em câmara fechada e quente, porque eles precisam de ventilação. Para ABS e ASA, a impressora fechada é o que funciona. Sem gabinete, um draft shield (uma parede de skirt da altura da peça, no PrusaSlicer, OrcaSlicer e Cura) segura um pouco do calor.
  7. Primeiras camadas mais lentas. A Prusa indica reduzir a velocidade para as camadas se ligarem melhor; nas três primeiras, cerca de 75% da velocidade normal. No perfil 0.20mm Standard da A1, da X1C e da P1P, a primeira camada vem a 50 mm/s e o preenchimento dela a 105 mm/s.
  8. Peças no centro da mesa e preenchimento moderado. A Prusa sugere virar as áreas problemáticas para o centro da mesa. Em peças estruturais, a Bambu Lab sugere 5 paredes com cerca de 25% de preenchimento em vez de passar de 50%.
  9. PETG seco. A Bambu Lab cita a umidade como causa de aderência ruim e empenamento no PETG. Veja como secar o filamento.

Páginas da Bambu Lab e da Prusa conferidas em novembro de 2026.

No projeto da peça: cantos arredondados

Se é você quem desenha a peça, o projeto ajuda mais que qualquer ajuste:

  • Arredonde os cantos vistos de cima. Um canto vivo de 90° concentra o puxão de dois lados; um raio de alguns milímetros distribui a força ao longo da curva.
  • Cuidado com chanfro embaixo. Um chanfro pequeno na borda de baixo disfarça o pé de elefante, mas um chanfro grande tira área de contato justamente no canto, onde ela mais faz falta.
  • Divida peças longas e chatas em partes menores, quando o uso permitir encaixe ou colagem.

Quanto custa uma peça empenada

Um exemplo, com premissas declaradas: uma caixa de PLA com base de 100 × 60 mm, 160 g e 8 horas de impressão, com os valores de referência da calculadora (PLA a R$ 110/kg e hora de máquina de R$ 0,58, que soma R$ 0,11 de energia a 120 W e R$ 0,95/kWh, R$ 0,42 de desgaste de uma impressora de R$ 2.500 com 6.000 horas de vida útil e R$ 0,05 de manutenção).

Situação Filamento Máquina e energia Total
Canto sobe, você cancela na 5ª hora (100 g) R$ 11,00 R$ 2,90 R$ 13,90
Termina empenada e não serve (160 g) R$ 17,60 R$ 4,65 R$ 22,25
Brim de 5 mm em volta da base R$ 0,05 R$ 0,03 R$ 0,08

A conta do brim: a aba de 5 mm em volta de 100 × 60 mm tem cerca de 1.700 mm² de área; com 0,2 mm de altura são 0,34 cm³, ou 0,42 g de PLA. Com linha de 0,42 mm a 20 mm/s, leva pouco mais de 3 minutos. No caso da peça cancelada, supomos o filamento gasto por igual ao longo da impressão. Fora isso, há o seu tempo para tirar a peça e recomeçar e, se a peça era uma encomenda, o atraso na entrega.

Perguntas frequentes

Por que só um lado da peça empena?

Uma causa típica é ar frio batendo de um lado só: janela, ventilador, ar-condicionado ou a ventoinha auxiliar lateral da impressora. Mude a impressora de lugar ou baixe a ventoinha auxiliar. Se o lado que empena é sempre o mesmo em peças diferentes, confira também o nivelamento e a limpeza daquela região.

Mesa mais quente sempre ajuda?

Só até o limite do material. Acima da faixa do fabricante, a base esparrama (pé de elefante) e, no PLA e no PETG, o calor que sobe pode amolecer o filamento antes do bico e entupir. A Bambu Lab recomenda abrir a porta da impressora fechada quando a mesa passa de 45 °C com PLA e de 70 °C com PETG.

Raft resolve empenamento?

Ajuda em mesa irregular ou sem PEI, porque a peça passa a se apoiar numa base grossa e bem grudada. Numa PEI limpa, brim e orelhas costumam bastar e gastam bem menos. Em troca, deixa a base áspera.

O brim deixa marca na peça. Como evitar?

Use orelhas só nos cantos em vez do brim inteiro, ou aumente o Brim-object gap (distância entre o brim e a peça) no Bambu Studio e no OrcaSlicer para ele soltar mais fácil. Um estilete tira o que sobrar na borda.

O PETG empenou mesmo com a mesa a 80 °C. O que mais pode ser?

Veja se o filamento está úmido, se a ventoinha está desligada nas primeiras camadas e se não há corrente de ar. Em impressoras fechadas com ventilação forte, a Bambu Lab cita o ar frio soprando direto na peça como causa de empenamento no PETG.

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